sexta-feira, 22 de outubro de 2021

Diversidades

 Já se passaram tantos anos e eu,

Ainda me lembro do começo,

Vejo agora tudo o que se perdeu,

Passado e o futuro tudo do avesso.

Pedes-me para ficar,

Ao mesmo tempo falas-me em despedidas,

Não sei como esperas que vá resultar,

Se pelo caminho só ficaram as feridas,

E promessas por se concretizar.

Só me sinto a afundar num pesadelo,

Que não consigo sair por mais que tente,

Mesmo que conte com Deus sei que o Diabo vai tecê-lo.

Só pensas em desistir do que temos,

A vida tem destas tretas e dificuldades,

A fugir dos problemas sempre aprendemos

Ter a coragem de enfrentar estas diversidades,

É na coragem que nos abstemos.



De novo

Não me faltam palavras para te dizer,
Tudo o que eu sinto por ti,
Falta-me é a coragem para viver,
Num mundo em que não estás aqui.

Se tudo o que eu idealizo fosse verdade,
Estaríamos neste momento abraçados
Ao amor que dissemos ser realidade
Até ao fim dos nossos anos de casados.

Triste fatalidade,
Que me mata e entrega
A esta dor e a esta saudade
Que no meu coração se esfrega.

Se tudo o que fosse para ser,
teria sido contigo do meu lado,
Mas não posso deixar de ver,
Que não se arranja aquilo que está estragado.

Tentei por ruas e travessas,
Fazer-te ver que tudo o que te disse,
Nunca foram apenas promessas,
Mesmo que o meu coração se dividisse,
Nunca iria curar as nossas desavenças.

Mas o tempo cura tudo,
E ainda acredito,
Que voltarás para mim no último segundo,
Mesmo depois de tudo dito,
Ambos sabemos que no fundo,
Sempre fomos apenas nós,
Apenas tu e eu,
Num mundo a sós,
A construir de novo tudo aquilo que se perdeu.

Se a esperança existir,
Será a última morrer,
E irei te mostrar que te posso fazer sentir
Este amor renascer e permanecer
Intacto e forte,
Se mesmo assim quiseres seguir,
Desejo-te toda a sorte,
Que seja um melhor caminho,
Mesmo que seja complicado
Como um labirinto,
Permaneço a teu lado,
A ensinar-te a confiares no teu instinto.




O que faltou?

 O que faltou? Diz-me, o que faltou para ter resultado? O que faltou para sentires a minha falta? Este aperto no peito que insiste em me lembrar tudo o que és para mim. Esta falta de fôlego que me lembra toda vez que te respirava em mim. Esta cama vazia que me lembra todos os olhares de cruzámos. Tudo me lembra, que não estás aqui. Diz-me, o que poderia fazer mais para não quereres ir embora? O que poderia ter feito para que pudesse concretizar este sonho inalcançável do que poderíamos ser? Lembro-me, de nos ver naquele altar em que jurámos amor eterno. Lembro-me, de nós bem velhinhos a cantar juras de amor. A realidade fria que me traz de volta a este lugar tão vazio sem ti. A verdade, é que te amo, tanto. O que faltou? O que faltou para sermos de verdade?