segunda-feira, 5 de junho de 2017

notarias?

se eu desistir?
se eu desistir de tudo,
se deixar de sentir?

se eu desistir?
Sentirias o mesmo por mim?
Ou desistirias comigo?

se eu desistir?
Estarias aqui para o impedir?
Estarias aqui para dizer tudo o que eu precisava de ouvir?

Se eu desistir?
Irias me deixar ir?

Se eu desistir,
Se eu deixasse tudo para trás,
Sem sequer questionar a minha existência,
Irias ser capaz,
Viver com a minha ausência?

Se eu desistir?
Deixarias algo por dizer?

Se eu viver?
Permaneceria tudo igual?


Se eu vivesse?
Ficarias?
Se eu desistisse?
Notarias?

atravessar

e este medo que me atravessa,
ando às voltas e voltas,
à espera que nada aconteça.

e este medo que me invade,
que me faz me bloquear do mundo,
que me deixa com saudade,
do que fui quando eu era,
apenas era o que eu gostava de ser,
mas até isso deitei tudo a perder.

e este medo que me faz errar,
agir e pensar e falar por mim,
que só me faz quebrar.

espera por mim,
não quero ter mais medo,
quero que estes demónios tenham um fim.

sei que já é tarde demais,
para mim,
para mim em ti.
não deixes que não sejam fatais,
as coisas que te vou dizendo,
porque não aguento mais,
este medo horrendo,
que me atravessa,
dispersa,
do que realmente sou.
se um dia te falhar,
espero que me perdoes,
porque a mim não me perdoo.

e este medo que me atravessa...


domingo, 2 de abril de 2017

Quando

Gosto de ti. É uma estranha forma de começar uma frase mas a realidade é que gosto de ti. Gosto de ti até quando me irritas e quando fazes coisas que eu odeio. Gosto de ti mesmo quando digo que te odeio. Quando te ris por parvoíces sem sentido nenhum, quando perdes tempo em seres tu mesmo, ai sim, eu amo-te.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Corrupto

Janela aberta, a brisa passa e eu sinto um arrepio. Pergunto-me porque é que por vezes as coisas têm que ser assim, desejar não sentir nada, desejar sentir algum coisa. Eu apenas desejo o bem. O bem para mim e para os outros. Que o mundo seja um lugar melhor. Que a vida seja um lugar melhor. Janela aberta, a brisa passa e eu sinto um arrepio. Não sinto frio. Não sinto calor. Sinto que a luz lá fora já não ilumina a escuridão deste quarto. Não tenho medos nem receios porque o pior que podia acontecer já aconteceu dentro de mim. Gostava apenas de saber com quem contar, em quem posso confiar. Olho a minha volta e tudo parece corrupto, falso. Gostava de poder confiar os meus sentimentos a alguém sem que fossem julgados por mais errados de sejam. Já não sei se sinto com o coração se com a cabeça porque vou a ver e está tudo fora do sitio. Uma confusão e então olho para ele e tudo passa.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Reencontrar

Talvez tenha deixado tanto por te dizer, para te mostrar. Talvez, não tenha sido escolhida para ti, ou apenas não me encaixei em ti como deveria. Uma parte de mim, quer sem medos pertencer ao que és, outra já desistiu de si própria. Eu sei, apenas existe um lugar para nós... onde a distância estaria a nos impedir de chegar um ao outro.  A verdade é que vejo em ti, uma parte de mim que quer continuar a pertencer-te. Por mais que sinta o que possa sentir, perto ou longe de ti, não aguento mais esta falta de mim mesma. Preciso de mim mesma. Poderias voltar para os meus braços e assim me completaria mais uma vez. Perdoa-me. Tenho que seguir o meu caminho, para longe dos braços que um dia foram o meu refugio, para longe da pessoa que um dia foi uma grande parte de mim. Vou-me deixar ir, não por causa de tudo, não por causa de ti, mas por mim. Preciso de mim. Preciso de me reencontrar de novo e assim, talvez um dia, me encontrar ao teu lado.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Racional

Quando queres falar, mas não sabes o que dizer. Então, vais procurando palavras até que chegas à conclusão nem tu mesmo sabes o que estás a sentir ou a pensar. Uma confusão que não consegues arrumar. Um vazio que não consegues preencher. Tentas arduamente esquecer o facto de tu sentes que não pertences aqui mas mesmo assim, o mundo continua a relembrar-te que não existem motivos que te prendam cá. A vida seria mais fácil se não tivesses que sentir. Tentas ser racional e tentar ao máximo racionalizar, mas os sentimentos atrapalham os pensamentos e tudo se transforma numa confusão ainda maior. Neste momento não sei o que estou a sentir, para além de tentar expressar uma vontade que não sei de onde vem, mas sei que é das profundezas do que tento evitar ao máximo sentir.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Instante

Abraça-me como  se o mundo acabasse neste instante. O que te faz falta? A vida já não te sacia essa fome de algo mais. Algo mais do que és e do que tens, mas por favor, abraça-me porque enquanto isso, a vida parece algo mais do que nada, contigo, aqui, perto de mim, a vida parece ser algo mais. Algo mais, mas quero mais. Dás-me mais? mais um instante para te dizer que fazes-me falta e deixa-me também pedir um desejo, num caso de vida ou morte: fica, apenas mais um instante.

sábado, 3 de setembro de 2016

Universo



Ela tinha o mar na alma. A extrema força e a profundidade de um oceano. Ela sentia tempestades e furacões mas os seus olhos gritavam a calma. Era da sua natureza dizer as coisas certas nas alturas certas e procurar o silêncio quando o silêncio era necessário. Corria mundos à procura de universos e cada vez que cada um passo a sua alma fazia estremecer a gravidade. Ela amava o mundo como se o mundo florescesse dentro dela. Proclamava a justiça só para te encontrar de novo. Que justiça existe se te levaram de mim?

Eu encontrei em ti, tudo o que o mundo não me deu. Foste para mim uma pequena eternidade num enorme infinito que se acendeu entre nós. Que universo existe se não estás aqui?


sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Lençóis



Sempre ouvi dizer que quando dois corpos de tocam, as almas se unem. Gostava de ter essa experiência contigo. Queres experimentar, queres? Em todos os locais em que já passei, por baixo destes lençóis parece-me o melhor sitio para te amar. Já te disse que quando não estás, és tu quem me consome? Existem tantas formas de tocar, mas a melhor é quando me tocas com esses olhos. Com olhos, de seguida com as mãos, depois os lábios e o resto fica entre nós. Sabes que gosto de escrever, mas prefiro ajudar-te a tirar essa roupa. Gosto mais de ti quando estás sem roupa, é como ver o corpo que me consome a alma sem ter que me tocar. Agora, se não te importas fecha a porta e vem para aqui. 

domingo, 31 de julho de 2016

Parágrafo


Vem, deixa-me sentir-te. Tenho-te como se tivesse o mundo. O calor que nos procura, está entre a nossa pele que se toca e se encontra num respirar. Compassa o meu respirar por favor. Deixa-me procurar-te. A vida é tão pouca quando não te tenho. Agora que me tens, sei que te tenho.
Consome-me, bebe de mim a falta que te tenho. Sei que me encontrarás, talvez na ponta da tua língua, na palma na tua mão. Estás a sentir? Sente-me como se procurasses vida em mim. Sobrevive de mim. Procura-te em mim. Já te encontras-te? Agora vê-me. Lê-me nesse teu livro que é a tua pele. Cada letra, uma mão que te desliza. Cada frase, um beijo que te atravessa. Agora, lê-me em ti. Lê-me em ti que agora dei um parágrafo. Vem, deixa-me sentir-te.  


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Existem noites, sabias?

Existem noites em que apenas adormeço no teu respirar. Existem noites em que apenas vivo para me viver contigo. És vida dentro e fora do que sou, sabias? Existem noites em que os pensamentos me afogam em recordações do que éramos, do que nunca chegámos a ser. Vivo o que ainda não vivi, mas vivo para me recordar de ti, sabias?
Existem noites, apenas noites em que o silêncio consome o vazio e a minha cabeça começa a viajar no teu universo, as tuas estrelas eram as mais brilhantes e as mais mágicas, sabias? Mas não era isso que me fazia te amar. As noites apenas aquelas noites em que me pegavas na mão e viajamos pelos teus planetas. Dizias que o mundo iria ser nosso mas antes disso conquistaríamos o universo. Existem apenas noites, mas em todas elas me lembro de ti, sabias?



domingo, 7 de fevereiro de 2016

Gostava


Todo o significado que descodifiquei em cada gesto, gostava que não tivesse sido verdadeiro. Todas as vezes que o nosso olhar se cruzou em cada esquina que passamos por entre os lençóis que cobria a nossa cama, gostava que não tivesse qualquer significado. 

Todas as linhas que fui traçando no teu rosto, buscando cada traço que eu amei de qualquer forma, gostava que não tivesse sido assim.  Amei-te com tudo o que havia em mim, com uma força que apenas existe no que havia em nós. Amámos com tanto fascínio, amámos maravilhados pela vida que havia em nós. Andámos por cordas bambas sem nos podermos tocar, mesmo sabendo que havia em cada um de nós uma proteção qualquer que nos segurava o coração de se partir. Gostava, gostava que não tivesse sido assim. Nada sobrou, apenas as palavras que dissemos naquela despedida silenciosa. Nada sobrou, senão as minhas lágrimas, que chorei no silêncio de um vazio sombrio que conheci quando partiste. Gostava, que tudo tivesse sido nada, mas tudo significa tudo e eu tenho tudo aqui.

 

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Quero

Toque a toque, procuro em cada sombra do teu corpo uma forma nova de te tocar. Cada beijo teu, encontro uma nova forma de te amar. Foste tu, és sempre tu que me leva a cada extremidade do que é o prazer. Sinto os teus lábios na minha pele, um arrepio que arrepia tudo o que há em mim. Quero mais, quero mais daquilo que me dás, daquilo que és e do que fazes ser. Arrepia-me mais uma vez, toca-me cada tocar que o meu corpo te implora. Sente cada torcer e retorcer, cada arrepio, cada calor. Sente o que sinto, que te faço sentir o que sentes.

Doer

Gosto de ver por onde ando, gosto de pisar verdades fixas, não confio em mentiras quebradiças. Não tenho medo que cair porque já aprendi a voar por cima dessas coisas que me derrubam. O frio que eu sinto na minha pele quase me congela, por dentro a minha alma vai sendo pintada com outras cores, já não são as tuas cores pretas e brancas que me consumiam na escuridão em que me fizeste viver. Uma farsa na pessoa que eras, um ódio na pessoa que és. Acabaram as guerras mas não acabou o ódio. Nunca odiei na vida, mas uma coisa que me ensinaste bem foi a odiar-te. Gosto de ver por onde ando, as calçadas que eu piso nunca irás pisar, não sabes o que é dor, mas fazes o que é fazer doer. Doeste-me em mim mas já não me dóis mais.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

O que resta de ti

Estão ali... as tuas palavras que passado tanto tempo me congelaram por dentro, como o mesmo efeito do inicio. Não esperava saber de ti de novo, mas não posso negar que algures dentro de mim gostava que isso acontecesse. Não posso negar, que ainda me vejo nos teus braços, naqueles momentos em que ainda havia algo para acreditar. Escondo de todos, até de mim, que há algo em ti que me aproxima de algo que não sei bem o que é.
Evitei escrever, evitei lembrar-me de ti. Agora, aqui estou eu, a ouvir a tua voz na minha cabeça, as palavras que agora dizes a ela. Não, não me importa mais o que dizes nem onde estás, porque espero não te ver mais. Considera estas minhas palavras como uma despedida. Um adeus, ao pedaço que resta de ti em mim.